Nissan Kait: o que muda em relação ao antigo Kicks Play?

O novo Nissan Kait aposta em visual renovado, mais tecnologia e conforto sem abandonar a mecânica confiável do antigo Kicks.

O Nissan Kait chega ao mercado brasileiro com uma proposta diferente daquela normalmente associada a uma nova geração. Em vez de abandonar completamente a fórmula do antigo Kicks Play, a fabricante aproveitou uma arquitetura conhecida, redesenhou a carroceria e ampliou o conteúdo tecnológico.

A estratégia pode interessar principalmente ao consumidor que procura um SUV compacto confortável e com mecânica aspirada, mas quer aparência e equipamentos mais atuais. Ao mesmo tempo, a origem do projeto traz limitações que precisam ser consideradas antes da compra.

A relação com o Kicks Play é maior do que parece

Por baixo da nova carroceria, o Kait preserva a plataforma utilizada pelo Kicks Play. As dimensões e o aproveitamento interno, portanto, mantêm características conhecidas do modelo anterior.

Isso não significa que nada tenha mudado. A Nissan trabalhou na calibração da suspensão traseira, incluindo alterações em componentes do conjunto para modificar o comportamento dinâmico.

Na prática, a proposta continua priorizando conforto, mas com respostas mais controladas em curvas e velocidades mais elevadas.

Visualmente, a transformação é muito maior. Capô elevado, dianteira mais vertical e novos elementos na traseira dão ao Kait uma aparência mais robusta e ajudam a distanciá-lo do Kicks Play.

Nissan Kait: o que muda em relação ao antigo Kicks Play?
Foto: Tókio Vila Mariana/Divulgação

O 1.6 aspirado continua sendo peça central

Enquanto boa parte dos SUVs compactos migrou para motores turbo, o Kait preserva o conhecido 1.6 flex aspirado associado à transmissão automática CVT.

De acordo com as especificações oficiais do Nissan Kait, o motor entrega até 113 cv e 15,2 kgfm de torque, associado à transmissão XTRONIC CVT.

A escolha cria uma proposta bastante específica. O conjunto não busca oferecer a grande disponibilidade de torque em baixa rotação encontrada nos motores turbo mais recentes. Em contrapartida, mantém uma arquitetura já conhecida por proprietários e oficinas.

Na utilização urbana, a entrega progressiva de potência combina com o CVT e favorece uma condução tranquila. O baixo peso do veículo também ajuda a reduzir o impacto da potência relativamente modesta.

Em viagens, porém, o cenário muda. Ultrapassagens e retomadas com passageiros e bagagem exigem planejamento maior, principalmente em rodovias de pista simples.

CVT privilegia suavidade, não esportividade

O funcionamento da transmissão acompanha a proposta do motor.

Em acelerações moderadas, o CVT mantém o veículo confortável e evita mudanças perceptíveis de marcha. Quando o acelerador é pressionado com maior intensidade, entretanto, as rotações sobem significativamente.

Essa característica pode produzir mais ruído dentro da cabine antes de a velocidade aumentar na mesma proporção.

O motorista também conta com diferentes possibilidades de operação, incluindo uma configuração voltada a respostas mais rápidas e a posição Low para situações em que interessa manter o conjunto trabalhando em uma relação mais curta.

Portanto, quem estiver acostumado a um SUV turbo deve realizar um test-drive antes da compra. As respostas do Kait são consideravelmente diferentes.

Consumo precisa ser analisado de forma padronizada

Médias obtidas em testes ou por proprietários podem ajudar a entender o comportamento do veículo, mas não devem ser interpretadas como resultados garantidos.

Trânsito, combustível, velocidade, quantidade de passageiros, temperatura e maneira de dirigir interferem diretamente no consumo.

Para comparar o Kait com outros SUVs compactos, a melhor referência são os resultados oficiais do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV/Inmetro) correspondentes ao ano-modelo analisado. O Inmetro disponibiliza na página as tabelas oficiais de eficiência energética dos veículos leves.

Outro aspecto relevante para viagens é a capacidade do tanque. Uma autonomia menor pode representar paradas adicionais mesmo quando o consumo permanece dentro do esperado.

Porta-malas continua sendo um bom argumento

O aproveitamento da plataforma conhecida também preserva características práticas.

O porta-malas oferece 423 litros, proporcionando espaço interessante para bagagens dentro da proposta de um SUV compacto. O compartimento ainda conta com revestimento e soluções para acomodar pequenos objetos.

Já a cabine mantém espaço suficiente para quatro adultos em utilização cotidiana. O quinto ocupante encontra condições menos favoráveis, especialmente em trajetos longos.

A ausência de saídas de ventilação destinadas ao banco traseiro também merece ser considerada por famílias que transportam passageiros frequentemente.

Tecnologia é onde o Kait mais se distancia do passado

Se a mecânica preserva uma receita tradicional, equipamentos e conectividade ajudam a atualizar o produto.

Dependendo da versão, o Kait oferece central multimídia com integração sem fio com Android Auto e Apple CarPlay e quadro de instrumentos digital.

A Nissan também preservou controles físicos para funções importantes do ar-condicionado, evitando concentrar todas as operações na tela.

Nas configurações superiores, a evolução mais relevante aparece na segurança e assistência ao motorista. Recursos como frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão, monitoramento de ponto cego e sistemas de auxílio à condução ampliam significativamente o pacote em relação ao antigo Kicks Play.

A disponibilidade desses equipamentos, entretanto, precisa ser verificada versão por versão.

Nissan Kait: o que muda em relação ao antigo Kicks Play?
Foto: Tókio Vila Mariana/Divulgação

Interior prioriza conforto

A cabine não tenta esconder completamente a origem de um projeto mais antigo. Existem áreas extensas de plástico rígido, embora revestimentos e detalhes adicionais procurem melhorar a percepção de acabamento nas configurações superiores.

Os bancos dianteiros seguem uma característica tradicional da Nissan: foco no apoio do corpo e no conforto durante períodos prolongados ao volante.

Essa combinação ajuda a explicar a personalidade do Kait. Ele não tenta convencer pelo desempenho esportivo, mas pela facilidade de utilização diária.

Afinal, é apenas um Kicks Play atualizado?

Tecnicamente, existe uma relação direta entre os dois modelos, principalmente pela plataforma e pelo conjunto mecânico. Entretanto, chamar o Kait simplesmente de Kicks Play com outra carroceria também ignora as mudanças realizadas em design, equipamentos, suspensão e tecnologias de assistência.

O resultado é um SUV que fica em uma posição particular no mercado.

Quem prioriza motor turbo, desempenho forte e uma arquitetura completamente nova provavelmente encontrará alternativas mais interessantes. Para quem valoriza conforto, espaço, mecânica aspirada e equipamentos modernos, o Kait pode fazer mais sentido.

Antes da decisão, o mais importante é comparar versões e realizar um test-drive. No caso do Nissan Kait, compreender que existe uma base conhecida por trás de uma apresentação completamente renovada é fundamental para avaliar corretamente o que o carro oferece.

Aline Costa
SOBRE O AUTOR

Aline Costa

Estudante de Jornalismo pela Faculdade RSA, em Picos (PI), Aline Costa é cofundadora e redatora do Falando de Carros, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos sobre o universo automotivo, incluindo notícias, comparativos, avaliações, lançamentos, mercado de veículos e informações para consumidores.Apaixonada por automóveis, Aline reúne experiência prática no setor, com trajetória ligada à venda de veículos e ao atendimento de clientes, conhecimento que contribui para uma abordagem mais próxima da realidade dos compradores. Sua vivência no mercado automotivo auxilia na análise de modelos, versões, preços, condições comerciais e tendências da indústria.Ao lado de Josean Santos, fundador do Falando de Carros, participa da administração e do desenvolvimento editorial do portal, buscando oferecer informações claras, responsáveis e relevantes para quem deseja conhecer melhor o mercado de carros no Brasil.Seu trabalho tem como objetivo unir conhecimento jornalístico e experiência prática, produzindo conteúdos baseados em informações confiáveis, com foco em ajudar os leitores a tomar decisões mais conscientes na escolha de um veículo.