O Nissan Kicks mudou profundamente de uma geração para outra. O SUV lançado no Brasil em 2025 cresceu, recebeu uma cabine mais elaborada e passou a utilizar motor turbo com câmbio de dupla embreagem, distanciando-se da proposta mais simples que marcou seu antecessor.
Na versão Advance, essa transformação fica particularmente evidente. Ela ocupa uma posição intermediária na gama e tenta equilibrar equipamentos, espaço interno e conforto sem chegar ao nível de preço e conteúdo das configurações superiores.
Mais importante do que a quantidade de recursos, porém, é entender onde o Kicks realmente evoluiu e quais concessões ainda aparecem nessa versão.

Novo Kicks ficou maior
As dimensões ajudam a explicar a mudança de posicionamento.
Segundo a ficha oficial do Nissan Kicks Advance 220T, o modelo possui 4,365 metros de comprimento e 2,655 metros de entre-eixos. A versão também mede 1,80 metro de largura e tem 200 mm de altura livre do solo.
O aumento de porte é perceptível tanto externamente quanto dentro da cabine. O capô mais elevado também altera a percepção do carro ao volante e ajuda o motorista a visualizar melhor os limites da dianteira.
O desenho abandonou boa parte das características da geração anterior. Na frente, predominam elementos horizontais, enquanto as laterais ganharam superfícies mais marcadas.
A traseira segue uma solução própria, com lanternas divididas e recortes acentuados na tampa. Independentemente da preferência estética, é um projeto suficientemente diferente para não ser confundido com o Kicks anterior.
Rodas de 17 polegadas favorecem o conforto
A versão Advance utiliza rodas de liga leve de 17 polegadas com pneus 215/60 R17, configuração confirmada pela ficha técnica da Nissan.
Na prática, essa configuração combina bem com a proposta do modelo. Durante a utilização em pisos irregulares, o conjunto ajuda a filtrar parte dos impactos encontrados em buracos, remendos e outras imperfeições do asfalto.
Não há a mesma aparência das rodas de 19 polegadas utilizadas nas configurações superiores, mas existe uma vantagem funcional para quem utiliza o carro predominantemente em cidade.
Esse é um caso em que uma especificação aparentemente mais simples não significa necessariamente uma experiência pior.
Porta-malas de 470 litros é um dos destaques
O aproveitamento do espaço também evoluiu.
O porta-malas possui 470 litros de capacidade, segundo os dados oficiais da Nissan.
O compartimento conta ainda com soluções para organizar a bagagem e diferentes possibilidades de utilização do piso. O estepe temporário permanece presente.
Para famílias que utilizam o veículo em viagens, o volume disponível é um argumento mais relevante do que alguns equipamentos puramente estéticos.

Cabine representa uma evolução clara
É no interior que a distância em relação ao antigo Kicks fica mais evidente.
O painel ganhou desenho horizontal e combina diferentes texturas e materiais. Existem superfícies rígidas, como é normal nessa categoria, mas a utilização de revestimentos e detalhes decorativos reduz a aparência excessivamente simples.
Durante o contato com o carro, a montagem também transmitiu boa impressão.
Os bancos possuem revestimento sintético perfurado e oferecem apoio adequado. A posição de dirigir merece destaque porque permite ao motorista ficar relativamente baixo para os padrões de um SUV.
O banco e o volante oferecem amplitude de regulagem suficiente para encontrar uma posição confortável sem a sensação excessivamente elevada presente em alguns utilitários.
Espaço traseiro melhorou
O entre-eixos de 2,655 metros contribui para o aproveitamento da segunda fileira.
Há espaço adequado para adultos e a altura interna favorece passageiros maiores. A sensação de amplitude também é beneficiada pela arquitetura da cabine e pela área envidraçada.
Passageiros traseiros contam com conexões USB-C. Já quem considera importantes equipamentos específicos de conforto para a segunda fileira deve conferir o conteúdo da versão Advance antes da compra, porque existem diferenças de equipamentos entre as configurações do novo Kicks.
Essa comparação merece atenção principalmente por famílias que transportam passageiros com frequência.
Multimídia mantém comandos físicos importantes
A versão Advance utiliza a central Nissan Connect de 12,3 polegadas, além de painel de instrumentos de 7 polegadas. A configuração também oferece visão 360° inteligente, detector de objetos em movimento e carregador de celular por indução.
A interface respondeu rapidamente durante o uso, mas um aspecto particularmente positivo está fora da tela: a Nissan preservou comandos físicos para algumas funções utilizadas frequentemente.
Isso reduz a necessidade de navegar por menus para realizar operações simples enquanto o veículo está em movimento.
O console central também utiliza superfícies predominantemente foscas, menos suscetíveis a marcas de dedos do que grandes áreas em preto brilhante.
A seleção das posições da transmissão é realizada por comandos no console. A solução exige alguma adaptação nos primeiros contatos, mas libera espaço e simplifica a região entre os bancos.
Motor 1.0 turbo substitui a antiga receita aspirada
Uma das maiores mudanças está sob o capô.
De acordo com a página oficial do Kicks Advance 220T, a versão utiliza motor 1.0 turbo flex de três cilindros, 12 válvulas e injeção direta, associado à transmissão DCT de dupla embreagem e seis marchas.
Com etanol, são 125 cv a 5.000 rpm e 22,4 kgfm de torque a 2.500 rpm. Com gasolina, a Nissan informa 120 cv e 20,4 kgfm.
A utilização do turbo altera significativamente a maneira como o Kicks responde em comparação com a geração anterior. A disponibilidade de torque em baixas rotações favorece saídas e retomadas no trânsito.
Comportamento privilegia conforto
Durante a condução, a direção leve facilita manobras e deslocamentos urbanos.
A suspensão apresenta um acerto voltado ao conforto e trabalha bem em conjunto com os pneus da versão Advance. Em pisos deteriorados, o Kicks consegue absorver boa parte das irregularidades sem transmitir impactos excessivamente secos aos ocupantes.
O isolamento acústico também representa uma evolução perceptível em relação ao modelo anterior.
O conjunto de 125 cv não transforma o SUV em um veículo esportivo, mas oferece desempenho compatível com sua proposta. Para utilização urbana, a disponibilidade de torque é mais importante do que buscar números elevados de potência.
Advance tenta encontrar o equilíbrio da linha
A versão Advance talvez seja melhor compreendida como uma configuração de equilíbrio.
Ela preserva características importantes do novo projeto, como motor 1.0 turbo, câmbio de dupla embreagem, porta-malas de 470 litros, rodas de 17 polegadas e cabine completamente redesenhada, além de acrescentar equipamentos como visão 360° e carregador de celular por indução.
Ainda assim, compradores interessados em equipamentos específicos precisam comparar cuidadosamente o conteúdo de cada configuração, já que a própria linha Kicks apresenta diferenças importantes entre Advance, Exclusive e Platinum.
Por outro lado, as rodas de 17 polegadas podem representar uma vantagem para conforto, enquanto o espaço para bagagens e a posição de dirigir são características que beneficiam o proprietário todos os dias.
O principal avanço do Kicks Advance, portanto, não está em um equipamento isolado. Está na mudança do conjunto. O novo modelo ficou maior, mais refinado e mecanicamente diferente do antecessor, assumindo uma proposta mais ambiciosa dentro do segmento de SUVs compactos.
Para quem estiver comparando o Kicks Advance com Chevrolet Tracker e Volkswagen T-Cross, vale olhar além da lista de equipamentos: espaço interno, porta-malas, conforto da suspensão, desempenho e conteúdo efetivamente oferecido por cada versão podem pesar mais na decisão do que diferenças pontuais de acabamento.
