Depois de cerca de três anos funcionando como uma espécie de laboratório para a Volkswagen no Brasil, o ID.4 muda de estratégia. O SUV elétrico passa a ser vendido diretamente ao consumidor na versão Pro por R$ 299.990, com chegada às concessionárias prevista para outubro.
Até agora, o modelo estava associado principalmente ao programa de assinatura Sign&Drive. A primeira operação, iniciada em 2023, permitiu à fabricante acompanhar o comportamento dos clientes, a rotina de carregamento e a utilização de um elétrico nas condições brasileiras. Agora, o ID.4 deixa essa fase experimental e passa a integrar efetivamente a oferta comercial da marca.
A mudança ocorre em um cenário bem diferente daquele de três anos atrás. O mercado brasileiro ganhou dezenas de novos modelos eletrificados, principalmente de fabricantes chinesas. Por isso, o desafio da Volkswagen não será apenas apresentar um elétrico, mas convencer o consumidor de que seu produto ainda é competitivo por quase R$ 300 mil.

ID.4 ficou bem mais potente
Embora o desenho externo permaneça bastante conhecido, a principal evolução está debaixo da carroceria. Segundo a Volkswagen Brasil, o novo ID.4 utiliza motor elétrico traseiro de 286 cv e 55,6 kgfm de torque.
São 82 cv a mais que os 204 cv da configuração oferecida anteriormente no país. O torque também avançou significativamente, enquanto a tração continua traseira.
A bateria tem 84 kWh de capacidade bruta e a autonomia homologada pelo Inmetro chega a 389 km. A recarga em corrente contínua aceita potência de até 185 kW, enquanto em corrente alternada o limite é de 11 kW.
O aumento de potência é importante porque aproxima o ID.4 brasileiro da configuração mais recente oferecida internacionalmente. A própria Volkswagen já havia atualizado o conjunto elétrico do modelo no exterior para 286 cv e 545 Nm.
Cabine recebe multimídia maior e mais equipamentos
As mudanças também chegaram ao interior. A central multimídia agora possui 12,9 polegadas, com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, GPS integrado e assistente de voz.
O pacote brasileiro inclui bancos dianteiros com ajustes elétricos, aquecimento e massagem, teto panorâmico, ar-condicionado de três zonas e câmera com visão de 360 graus.
Na segurança, aparecem sete airbags, controle de cruzeiro adaptativo com Stop & Go, frenagem autônoma de emergência com reconhecimento de pedestres e ciclistas, monitoramento de ponto cego e assistentes de permanência e centralização em faixa.

O SUV mede 4,58 metros de comprimento e 2,77 m de entre-eixos, enquanto o porta-malas comporta 533 litros, conforme os dados atualmente divulgados pela fabricante.
R$ 299.990 coloca o ID.4 diante de um mercado diferente
O preço talvez seja o ponto mais importante para entender a nova etapa. O Volkswagen ID.4 Pro chega por R$ 299.990 justamente quando o consumidor brasileiro dispõe de uma variedade muito maior de elétricos e híbridos do que em 2023.
BYD, GWM, Volvo, Geely e outras fabricantes ampliaram sua presença enquanto a Volkswagen mantinha o ID.4 principalmente por assinatura. Isso significa que a marca alemã entra na venda convencional de elétricos depois de concorrentes que já construíram espaço nesse segmento.
Por outro lado, a Volkswagen possui uma vantagem que novas marcas ainda tentam desenvolver: uma ampla estrutura de concessionárias e pós-venda no Brasil. O desafio será transformar essa presença em argumento suficiente para disputar compradores de veículos elétricos na faixa dos R$ 300 mil.
De assinatura para venda convencional
A primeira passagem do ID.4 pelo Brasil começou em 2023, quando aproximadamente 250 unidades foram importadas para a operação inicial. O veículo era oferecido pelo Sign&Drive, com contratos de assinatura, em vez da compra tradicional de um zero-quilômetro.
Três anos depois, a estratégia muda. Mais do que trazer outro lote, a Volkswagen passa a utilizar o ID.4 como ponto de partida para uma presença comercial convencional entre os elétricos.
O momento é mais desafiador do que em 2023. O ID.4 retorna mais potente, com recarga rápida aprimorada, 389 km de autonomia homologada e pacote tecnológico atualizado, mas encontra muito mais concorrentes.
Por isso, a questão não é apenas saber se R$ 299.990 é caro ou barato. O verdadeiro teste será descobrir se a combinação entre produto, rede de concessionárias e experiência acumulada nos últimos três anos será suficiente para a Volkswagen recuperar o tempo que suas concorrentes aproveitaram para avançar no mercado brasileiro de elétricos.
