A Renault entrou na reta decisiva do desenvolvimento da Niagara, picape monobloco que marcará a estreia da marca em um segmento dominado pela Fiat Toro. Com apresentação global prevista para setembro e chegada ao mercado brasileiro no início de 2027, o modelo já circula com camuflagem reduzida em testes no Paraná, indicando que o projeto está próximo da configuração definitiva.
Flagras recentes mostram que a fabricante intensificou os testes comparativos, inclusive utilizando uma Toro como referência de desenvolvimento, reforçando o foco em disputar diretamente a liderança da categoria. Segundo apurações do Autos Segredos e da Autoesporte, a produção será concentrada na Argentina, com o Brasil como principal mercado de exportação.
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Plataforma inédita permitirá maior porte e foco na Fiat Toro
A Niagara será construída sobre a Renault Group Modular Platform (RGMP), arquitetura modular inaugurada pelo Kardian e posteriormente utilizada no Boreal. A plataforma foi desenvolvida para diferentes tipos de veículos e permite entre-eixos de até 2,95 metros, medida que deverá ser adotada pela picape para colocá-la praticamente no mesmo patamar da Fiat Toro em dimensões.
Visualmente, a novidade aproveitará boa parte da dianteira e da cabine do Boreal até a coluna B, compartilhando faróis, portas, painel, console central e diversos componentes internos. As mudanças ficarão concentradas no para-choque dianteiro, na grade exclusiva, na caçamba e na traseira, que receberá lanternas inspiradas no conceito Renault Niagara apresentado em 2023. Outro detalhe confirmado nos protótipos são as maçanetas traseiras embutidas nas colunas, solução pouco comum entre picapes e já adotada no SUV da marca.

A estratégia da Renault é clara: oferecer uma caminhonete com porte próximo de cinco metros, acabamento mais sofisticado e forte integração tecnológica, sem abrir mão da proposta de uso misto entre trabalho e lazer. O interior deverá incorporar o sistema multimídia OpenR Link com serviços do Google integrados, além de equipamentos já vistos no Boreal, elevando o nível tecnológico da futura picape.
Motor 1.3 turbo será padrão; versão híbrida ficará para depois
Na mecânica, a Renault apostará inicialmente no conhecido motor 1.3 TCe Turbo Flex, que desenvolve até 163 cv com etanol e 27,5 kgfm de torque. O propulsor será compartilhado com outros modelos da fabricante e estará disponível em toda a linha, variando apenas o conjunto de transmissão e tração.
As versões voltadas ao trabalho deverão oferecer câmbio manual de seis marchas, enquanto as configurações mais completas utilizarão a transmissão automatizada EDC de dupla embreagem e seis velocidades. Nessas versões também estará disponível o sistema de tração 4×4, um diferencial importante frente à Fiat Toro, que atualmente não oferece opção de transmissão manual.
A eletrificação, entretanto, não fará parte da estreia comercial. O sistema híbrido previsto para a Niagara será lançado posteriormente, após sua introdução no Boreal. A plataforma RGMP já foi concebida para receber diferentes níveis de eletrificação, o que permitirá à Renault ampliar a oferta de versões conforme a evolução da demanda por veículos eletrificados na América do Sul.
Além de substituir parcialmente a Oroch na gama da fabricante, a Niagara será peça central da ofensiva da Renault na região. A expectativa é que o modelo dispute clientes não apenas da Fiat Toro, mas também de Ram Rampage e Ford Maverick, combinando maior refinamento, tecnologias embarcadas e uma arquitetura mais moderna para disputar espaço em um dos segmentos que mais crescem no mercado brasileiro.











