Land Rover encerra operações industriais em Itatiaia (RJ) e fábrica pode mudar de mãos
Foto: Land Rover

A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) atravessa um momento decisivo, marcado por incertezas sobre continuidade e mudança de controle. Nos bastidores, a informação é de que os últimos lotes dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque já foram concluídos e agora aguardam distribuição às concessionárias, operação prevista para ocorrer até meados de julho. O clima interno é de transição silenciosa, enquanto cresce a expectativa de uma mudança estrutural na unidade.

A montadora britânica Jaguar Land Rover, porém, mantém postura cautelosa. Em nota, afirma apenas que a produção segue normalmente em junho, conforme o planejamento, sem detalhar os próximos passos. Ainda assim, fontes do setor e do sindicato local indicam que a operação fabril deve ser encerrada no fim do mês, abrindo espaço para uma possível troca de comando já a partir de julho.

Segundo reportagens da revista Quatro Rodas e do site Motor1.com Brasil, o cenário mais provável é o encerramento definitivo das atividades industriais da JLR no Brasil. O contato com o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real reforça que a planta deve operar apenas até o fim de junho de 2026, com a transição sendo negociada para o mês seguinte.

Inaugurada em 2016, a unidade de Itatiaia foi um marco estratégico para a marca, sendo a primeira fábrica da JLR fora do Reino Unido e a única na América Latina. O complexo recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos e foi projetado para produzir até 24 mil veículos por ano, consolidando a aposta da marca no mercado brasileiro de SUVs premium.

Land Rover encerra operações industriais em Itatiaia (RJ) e fábrica pode mudar de mãos
Foto: Land Rover

Mesmo com essa estrutura, a fábrica nunca atingiu volumes elevados. Em 2025, os modelos Discovery Sport e Evoque somaram apenas 425 e 332 unidades vendidas, respectivamente, no país. Entre janeiro e maio deste ano, o total foi ainda menor: apenas 264 emplacamentos, números considerados insuficientes para sustentar uma operação industrial dessa dimensão.

Atualmente, a planta opera em ritmo reduzido e emprega cerca de 371 trabalhadores, segundo o sindicato local Sindireal. Muitos funcionários estão em processos de capacitação interna, enquanto a produção desacelerada reforça o clima de incerteza sobre o futuro da unidade e dos postos de trabalho na região.

A estratégia global da Jaguar Land Rover ajuda a explicar o movimento. A empresa vem priorizando produtos de maior margem e reduzindo complexidade industrial, concentrando esforços em mercados e modelos mais lucrativos, enquanto operações de menor escala passam por revisão ou descontinuação.

Nesse cenário, surge com força a entrada da chinesa Chery Automobile. A marca, por meio das operações de Omoda e Jaecoo, estaria articulando a compra da fábrica de Itatiaia para instalar sua base de produção no Brasil, conforme revelações de bastidores e informações divulgadas pelo jornalista Jorge Moraes, da CNN Brasil.

O vice-presidente da Omoda & Jaecoo no Brasil, Roger Corassa, já havia indicado em entrevista ao Motor1 Podcast que diferentes possibilidades estavam em estudo para viabilizar produção local. Embora sem confirmação direta, o executivo admitiu que o cenário industrial brasileiro fazia parte das discussões estratégicas.

A proposta chinesa envolve transformar a planta em uma operação moderna baseada no sistema CKD, onde veículos chegam desmontados e são finalizados localmente, com etapas como soldagem e pintura. O plano prevê capacidade inicial adaptada para cerca de 87 mil unidades e expansão futura para até 100 mil carros por ano a partir de 2027.

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Foto: Omoda

Para viabilizar o projeto, a produção dependeria de modelos de alto volume. Estão no radar veículos da própria Omoda, da Jaecoo e também de marcas do grupo como Jetour e Lepas. O foco seria abastecer o mercado brasileiro e ampliar exportações para países da América Latina.

Entre os primeiros produtos cotados está o futuro Omoda 4, que deve atuar no segmento de SUVs compactos com motores 1.0 turbo flex e opção híbrida HEV. A estratégia é posicioná-lo diretamente contra modelos como Volkswagen Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian, mirando alto volume de vendas.

A transição, porém, ainda depende de negociações com o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Prefeitura de Itatiaia. Incentivos fiscais e ajustes regulatórios seguem em discussão, enquanto reuniões técnicas avançam para definir o futuro da planta. A prioridade das autoridades é evitar paralisação prolongada e garantir continuidade econômica na região industrial.

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