Antes de comprar um carro elétrico, faça estas contas: quando ele compensa e quando não

Entenda como combustível, impostos, manutenção, seguro e desvalorização influenciam o custo total de propriedade e veja quando a economia dos veículos elétricos pode compensar o investimento inicial.

Comprar um carro elétrico deixou de ser uma decisão restrita a quem busca novidade. A oferta aumentou, surgiram modelos mais acessíveis e a infraestrutura de recarga continua avançando. Ainda assim, o elétrico não é automaticamente a melhor escolha para todo motorista.

A conta depende muito mais da rotina do que da tecnologia. Onde o carro será carregado, quantos quilômetros percorre por mês, frequência das viagens e tempo que ficará com o veículo podem transformar o mesmo elétrico em excelente negócio para uma pessoa e escolha pouco prática para outra.

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A tomada de casa pode decidir a compra

Uma das primeiras perguntas deveria ser: onde vou carregar o carro?

Quem possui garagem com possibilidade de instalar um carregador ou utilizar uma tomada adequada começa em situação favorável. O automóvel pode permanecer conectado durante períodos em que normalmente ficaria parado, reduzindo a dependência de carregadores públicos.

Para quem mora em condomínio sem estrutura disponível ou não possui vaga fixa, a situação muda. Nesse caso, será necessário verificar quais pontos de recarga existem na rotina e quanto custam.

A própria ANEEL estabelece regras para a recarga de veículos elétricos, incluindo disposições relacionadas à prestação do serviço de recarga por interessados.

Antes de comprar um carro elétrico, faça estas contas: quando ele compensa e quando não
Foto: Depaulo CAR/Divulgação

Quanto você roda por mês muda toda a conta

O segundo passo é abandonar a comparação baseada apenas no preço do carro.

Imagine dois proprietários do mesmo elétrico. Um percorre 500 km mensais; outro, 3.000 km. Mesmo utilizando exatamente o mesmo modelo, a economia proporcionada pelo custo energético terá importância completamente diferente para cada um.

Por isso, uma comparação mais útil considera consumo em kWh, quilometragem mensal e tarifa de energia. No caso do veículo a combustão, entram consumo em km/l, preço do combustível e a mesma quilometragem.

O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro permite consultar dados oficiais de eficiência dos veículos comercializados no Brasil, inclusive elétricos.

Economizar no uso não significa gastar menos no total

Um elétrico pode apresentar custo energético por quilômetro bastante competitivo e ainda assim não ser a alternativa financeiramente mais vantajosa para determinado comprador.

Isso acontece porque existe o custo total de propriedade.

Preço de aquisição, juros do financiamento, seguro, manutenção, impostos, instalação de carregador e valor obtido na revenda precisam entrar na análise.

Se o elétrico equivalente custar significativamente mais na compra e o motorista rodar pouco, pode levar bastante tempo para a economia de utilização compensar a diferença inicial.

Por outro lado, quem roda muitos quilômetros e consegue carregar em condições favoráveis tende a aproveitar melhor a eficiência do veículo elétrico.

Viajar exige olhar além da autonomia anunciada

Autonomia é importante, mas não conta toda a história.

O comprador precisa verificar onde estão os carregadores no percurso, potência disponível, compatibilidade com o veículo e tempo necessário para recuperar energia suficiente para continuar a viagem.

Também é importante utilizar uma referência comparável. O Inmetro publica dados de autonomia e eficiência dentro do PBE Veicular, cuja tabela inclui veículos elétricos, híbridos e modelos a combustão.

Quem viaja eventualmente pode considerar algumas paradas adicionais perfeitamente aceitáveis. Para alguém que percorre centenas de quilômetros diariamente por trabalho, os mesmos minutos podem ter outro peso.

Bateria e garantia importam na hora da revenda

A bateria é um dos componentes que merecem maior atenção antes da compra.

Não basta perguntar quanto custa substituí-la. É preciso verificar prazo e condições da garantia oferecida pelo fabricante, além das regras para manutenção e eventuais limitações de cobertura.

Na compra de um elétrico usado, histórico do veículo e condição da bateria ganham ainda mais importância.

Também não é prudente assumir antecipadamente que todo elétrico terá forte ou fraca desvalorização. O mercado brasileiro de usados eletrificados ainda está amadurecendo, e marca, modelo, preço do zero-quilômetro, garantia e procura podem alterar bastante o resultado.

Antes de comprar um carro elétrico, faça estas contas: quando ele compensa e quando não
Foto: Destaque Fiat SAO Paulo/Divulgação

Para quem o elétrico faz mais sentido hoje

O cenário tende a ser especialmente favorável para quem consegue carregar em casa, percorre quilometragem suficiente para aproveitar um custo energético por quilômetro potencialmente menor, dependendo da tarifa e das condições de recarga, e utiliza predominantemente trajetos urbanos ou rotas com infraestrutura adequada.

A combinação com energia solar pode acrescentar outra variável. Pelas regras de micro e minigeração distribuída da ANEEL, a energia produzida por sistemas de geração distribuída está sujeita às regras do Sistema de Compensação de Energia Elétrica.

Isso não significa energia gratuita: instalação fotovoltaica possui custo e sua viabilidade precisa ser calculada separadamente.

Em quais situações eu pensaria duas vezes

O elétrico merece uma análise mais cuidadosa quando o comprador não possui local previsível para recarga, percorre frequentemente regiões com infraestrutura limitada ou encontra uma diferença muito grande de preço em relação a uma alternativa a combustão que atende à mesma necessidade.

O mesmo vale para quem roda muito pouco. Nesse cenário, a economia energética existe, mas representa menos dinheiro ao longo do ano e pode não justificar pagar significativamente mais pelo veículo apenas com a expectativa de economizar na utilização.

Por isso, a pergunta mais útil não é simplesmente “carro elétrico vale a pena?”.

Antes da compra, faça quatro contas: quanto você roda, onde poderá carregar, quanto pagará pela energia e qual será o custo total para permanecer com o automóvel pelo período planejado.

Se esses números favorecerem o elétrico, ele pode fazer bastante sentido. Se não favorecerem, continuar com um modelo a combustão ou considerar um híbrido pode ser uma decisão igualmente racional.

Aline Costa
SOBRE O AUTOR

Aline Costa

Estudante de Jornalismo pela Faculdade RSA, em Picos (PI), Aline Costa é cofundadora e redatora do Falando de Carros, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos sobre o universo automotivo, incluindo notícias, comparativos, avaliações, lançamentos, mercado de veículos e informações para consumidores.Apaixonada por automóveis, Aline reúne experiência prática no setor, com trajetória ligada à venda de veículos e ao atendimento de clientes, conhecimento que contribui para uma abordagem mais próxima da realidade dos compradores. Sua vivência no mercado automotivo auxilia na análise de modelos, versões, preços, condições comerciais e tendências da indústria.Ao lado de Josean Santos, fundador do Falando de Carros, participa da administração e do desenvolvimento editorial do portal, buscando oferecer informações claras, responsáveis e relevantes para quem deseja conhecer melhor o mercado de carros no Brasil.Seu trabalho tem como objetivo unir conhecimento jornalístico e experiência prática, produzindo conteúdos baseados em informações confiáveis, com foco em ajudar os leitores a tomar decisões mais conscientes na escolha de um veículo.