A estreia da Ferrari no mercado de carros totalmente elétricos ganhou um capítulo incomum. O Ferrari Luce, primeiro modelo de produção da fabricante de Maranello movido exclusivamente a eletricidade, foi apresentado ao papa Leão XIV em Castel Gandolfo, durante encontro realizado em 26 de maio.
A comitiva reuniu o presidente da Ferrari, John Elkann, o CEO Benedetto Vigna e integrantes das equipes técnica e de engenharia. Durante a apresentação, o pontífice conheceu o automóvel e recebeu de Elkann um volante do modelo como presente simbólico.
O encontro voltou as atenções para um dos projetos mais importantes da história recente da marca. Além de inaugurar a era totalmente elétrica da Ferrari, o Luce adota quatro portas, cinco lugares e uma proposta de design desenvolvida em colaboração com a LoveFrom, de Jony Ive e Marc Newson.
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Primeiro elétrico também leva cinco ocupantes
O Luce representa uma mudança que vai muito além da ausência de um motor a combustão.
A Ferrari construiu sua reputação com esportivos de dois lugares ou configurações mais tradicionais de gran turismo. O novo elétrico amplia essa fórmula ao oferecer quatro portas e espaço para cinco ocupantes.
Na Europa, o preço de tabela anunciado é de € 550 mil, com as primeiras entregas previstas para o fim de 2026, segundo informações divulgadas no lançamento.

É um valor que posiciona o Luce muito acima dos elétricos convencionais e deixa clara sua proposta: a eletrificação não foi utilizada para transformar a Ferrari em uma fabricante de grande volume, mas para criar outra opção dentro do universo de alto luxo da marca.
Quatro motores e bateria de 122 kWh
A mudança de propulsão não significou abandonar os números de desempenho associados à Ferrari.
De acordo com as especificações divulgadas no lançamento do Ferrari Luce, o modelo utiliza quatro motores elétricos, um para cada roda, e bateria de 122 kWh.
O conjunto permite acelerar de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e de 0 a 200 km/h em 6,8 segundos. A velocidade máxima supera 310 km/h, enquanto a autonomia anunciada fica acima de 530 km.
A potência de recarga rápida chega a 350 kW. Como ocorre com qualquer elétrico, autonomia e velocidade efetiva de carregamento podem variar de acordo com temperatura, estado da bateria, potência disponível no carregador e condições de utilização.
Jony Ive ajudou a mudar a aparência da Ferrari
Talvez nenhuma característica do Luce tenha provocado tanta discussão quanto o design.
A Ferrari trabalhou com a LoveFrom, coletivo criativo fundado por Jony Ive e Marc Newson. Ive ficou mundialmente conhecido por sua passagem pela Apple e pelo envolvimento no desenvolvimento de produtos como iPhone, iPod e Mac.
O resultado se distancia das proporções encontradas em boa parte dos esportivos de Maranello. O Luce utiliza superfícies mais contínuas, carroceria mais alta e soluções desenvolvidas especificamente para sua arquitetura elétrica.
A proposta também chegou à cabine, que mistura elementos digitais com controles físicos em vez de concentrar todas as funções exclusivamente em telas sensíveis ao toque.
Luce coloca Ferrari diante de uma mudança histórica
A Ferrari já utiliza eletrificação em seus híbridos, mas o Luce leva essa estratégia a outro nível ao eliminar completamente o motor a combustão.
Isso não significa o abandono dos V6, V8, V12 ou dos híbridos da marca. O elétrico passa a ocupar um espaço adicional no portfólio e, ao mesmo tempo, permite avaliar como os clientes mais tradicionais reagirão a uma Ferrari sem motor térmico.
A apresentação ao papa Leão XIV acabou funcionando como um episódio simbólico dessa transformação. Mais importante do que simplesmente colocar 1.000 cv ou mais em um elétrico será descobrir se a Ferrari conseguirá transportar para essa arquitetura as características que construíram sua reputação: desempenho, comportamento dinâmico, exclusividade e experiência ao volante.
